A hipertensão arterial (HTA)— ou tensão alta — é uma das principais causas de doença cardiovascular, AVC, insuficiência renal e morte prematura. Afeta milhões de pessoas em Portugal e no mundo, muitas das quais sem saberem que têm a condição.
É conhecida como o “inimigo silencioso” porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas evidentes, mas provoca danos sérios e progressivos nos órgãos vitais.
Neste artigo, explicamos o que é a hipertensão arterial, como pode ser identificada, os principais fatores de risco e as estratégias mais eficazes para o controlo e prevenção.
O Que É a Hipertensão Arterial?
A hipertensão arterial é caracterizada pela elevação persistente da pressão do sangue nas artérias. Quando esta pressão está constantemente acima dos valores normais (≥ 140/90 mmHg), o coração e os vasos sanguíneos ficam sobrecarregados, aumentando o risco de complicações graves ao longo do tempo.
Sintomas — Ou a Falta Deles
Na maioria dos casos, a hipertensão não causa sintomas, o que contribui para que muitas pessoas vivam com a condição sem diagnóstico. Estudos apontam que apenas 62,8 % dos pacientes com HTA têm consciência da condição.
No entanto, em casos mais graves ou prolongados, podem surgir sinais como:
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Dores de cabeça frequentes
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Tonturas ou visão turva
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Palpitações
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Dor no peito
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Falta de ar
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Hemorragias nasais (em situações de tensão muito elevada)
Mesmo na ausência de sintomas, a hipertensão pode estar a causar lesões nos rins, olhos, cérebro e coração.
Como Se Diagnostica?
O diagnóstico da hipertensão arterial é feito através da medição regular da tensão arterial, em consultas médicas ou com recurso a dispositivos automáticos de medição em casa.
Para confirmar o diagnóstico, é necessário:
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Medições repetidas ao longo de vários dias
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Registo em contexto de vida real (não apenas no consultório)
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Eventualmente, monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA) durante 24 horas
Principais Fatores de Risco
A hipertensão pode ter causas genéticas, mas também está fortemente associada a hábitos de vida. Os fatores mais comuns incluem:
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Idade superior a 50 anos
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História familiar de hipertensão
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Consumo excessivo de sal
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Excesso de peso ou obesidade
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Sedentarismo
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Consumo elevado de álcool
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Tabagismo
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Stress crónico
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Doenças como diabetes ou disfunção renal
Estratégias para Prevenir e Controlar a Hipertensão
A boa notícia é que, com mudanças no estilo de vida e, quando necessário, medicação adequada, a hipertensão pode ser eficazmente controlada.
Recomendações principais:
✅ Reduzir o consumo de sal (preferencialmente <5g/dia)
✅ Adotar uma alimentação equilibrada, rica em legumes, fruta, fibra e pobre em gorduras saturadas
✅ Praticar exercício físico regularmente (pelo menos 30 minutos por dia)
✅ Evitar álcool em excesso e parar de fumar
✅ Controlar o peso corporal
✅ Gerir o stress e dormir bem
✅ Tomar a medicação prescrita sem falhas
O controlo da hipertensão reduz drasticamente o risco de AVC, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença renal crónica.
Estatísticas da Hipertensão Arterial
Em Portugal
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Cerca de 42,6 % da população adulta em Portugal tem hipertensão arterial.
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Estudos como o INSEF 2015 – Inquérito Nacional de Saúde, apresenta resultados com dados representativos da população portuguesa (adultos entre 25–74 anos):
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Prevalência global de HTA: 36,0 % (IC 95 %: 34,3–37,7 %).
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Homens: 39,6 % (IC 95 %: 36,5–42,8)
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Mulheres: 32,7 % (IC 95 %: 30,1–35,5)
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A prevalência aumenta com a idade, chegando aos 71,3 % entre os 65‑74 anos
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Um estudo do Programa Nacional para as Doenças Cérebro‑Cardiovasculares (DGS, 2013) aponta uma prevalência de 26,9 %, sendo mais alta nas mulheres (29,5 %) do que nos homens (23,9 %)
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Diversos estudos epidemiológicos mostram que a prevalência aumenta com a idade:
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6,9 % a 24,9 % entre 18‑25 anos;
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23,5 % a 54,8 % acima dos 40 anos;
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48,4 % em pessoas com 65 anos ou mais
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No Mundo
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Estima-se que cerca de 1,28 mil milhões de adultos (dos 30 aos 79 anos) tenham hipertensão, com previsão de atingir 1,5 mil milhões em 2025.
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Globalmente:
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46 % das pessoas com hipertensão desconhecem a condição;
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Apenas 42 % estão diagnosticadas e em tratamento;
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Apenas 21 % conseguem controlar a pressão adequadamente
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Em 2019, a hipertensão atingia cerca de 33 % da população mundial
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Um estudo publicado na The Lancet (2021) revela que, de 1990 a 2019, o número de adultos de 30 a 79 anos com hipertensão mais que duplicou — de cerca de 648 milhões para 1,278 bilhões (626 M mulheres + 652 M homens). Das mulheres, 59 % sabiam do diagnóstico, mas apenas 47 % estavam em tratamento e 23 % tinham a pressão controlada. Nos homens, os valores eram 49 % (diagnóstico), 38 % (tratamento) e 18 % (controle)
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Variações entre países são notáveis:
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Em 2019, prevalências em mulheres variaram de 17 % (Suíça) até 51 % (Paraguai, Tuvalu);
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Para homens, o valor mais alto foi 62 % no Paraguai, e o mais baixo foi 22 % na Eritreia
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Monitorização Contínua: A Chave para Prevenir Complicações
Medir a tensão regularmente, seguir as orientações do médico e manter um estilo de vida saudável são pilares essenciais para evitar consequências graves da hipertensão não tratada.
Mesmo quem já tem diagnóstico deve fazer avaliações periódicas, para ajustar a medicação e garantir que os valores estão dentro do intervalo recomendado.
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Fontes:
